Primeiro, o que na cabeça das pessoas podia dar de tão errado? Não se adaptar? Sentir saudades? Não conseguir um emprego? A meu ver, mesmo que tudo isso tivesse acontecido – mas ainda bem que, tirando a saudade, não aconteceu – ainda valeria a experiência, o frio na barriga, a descoberta, a língua, as pessoas, a cultura. E cada frustração seria (e é) aprendizado pra se reinventar.
Quando as pessoas pensavam que eu estava ‘largando a vida toda’, na verdade o que eu via era um mergulho na vida. Um mergulho em mim. O pulo de um penhasco pra cair num mar chamado “EU”. E que mar! Teve maremotos, calmarias, ressacas e tsunamis escondidos nas profundezas que eu desconhecia. Eu estava mergulhando naquilo que eu sempre tinha sonhado, mas não sabia como ia fazer pra acontecer, aí o destino trouxe pra minha frente e como num estalo, era uma possibilidade real.
Eu tive medo sim! Ôh, se tive! Pouca gente sabe o que é tempestade em alto mar. O peito apertou de dúvidas, de dor, incertezas e de saudades.. ai saudades! Não só das pessoas, claro que principalmente delas, mas também de uma vida conhecida, que era cômoda, calorosa e cheia de mimos.
Eu fui mimada, sim! Falo com orgulho porque o mimo que meus pais sempre me deram foi o de fazer o impossível pra me oferecerem o melhor e me verem feliz, mas isso nunca os fez perder as rédeas das situações pra me educarem e formarem alguém com valores e com noção de que eu não posso ser ‘sem-noção’ por aí.
Meus pais me mimaram porque do jardim de infância à faculdade sempre me buscaram na porta da escola; minha mãe sempre colocou no prato o meu almoço fresquinho; me dava chá de limão na cama em noites frias. E eu confesso que fiquei com medo de não saber me equilibrar sem eles por perto. Quando esse medo me assustava com força, aquele “nossa, que corajosa” parecia ter mais sentido... Mas aí os dias foram passando... Com eles veio o dia em que estava chovendo e eu não tinha pra quem pedir pra me buscar de carro; tive que ir ao mercado e voltar de ônibus e cheia de sacolas; tive que levantar da cama com gripe pra fazer o chá pra mim mesma, sem falar em tanta coisa tive que comer sem tempero (ou temperada demais) até aprender a balancear o sal e as especiarias todas, tive que usar meus dias de folga pra limpar, arrumar, lavar e cozinhar e achar tudo isso bom!!
E aos poucos aquilo tudo que me assustava foi se tornando tão natural.. andar sozinha, cuidar da casa, cuidar de mim.
Os medos tão grandes se tornaram até pequenos prazeres e se antes eu não sabia se era capaz, hoje eu tenho certeza que sim! Certeza que eu posso mais, posso ir além, até onde meus sonhos me permitirem sonhar!
Ainda no clima de Ano Novo, se 2015 me trouxe váááárias descobertas, a melhor delas foi a de perceber que eu não sou uma banana – aquela pessoa que escorrega em qualquer esquina da vida! Não que eu achasse que fosse, mas o medo tem o poder de balançar dentro de você aquilo que não é uma certeza bem enraizada, e no meu caso, eu mostrei pra ele quem é que manda aqui! E pro que vier me assustar, hoje eu sei, estou pronta!
Amig@, vou te contar uma coisa: nada mais libertador que derrubar seus medos! Descubra que não é um(a) banana você também!
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Que coisa mais linda de se ler... Quero ainda descobrir que não sou uma banana daquelas maduras... rsrs... Amei o texto, dona Menininha!!!
ReplyDeleteHaha.. você nao é banana, amiga! Fica tranquila! Rs. Obrigada, sempre!!! :*
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DeleteAssumir que tem medo e enfrentá-lo é sinal de sabedoria! Pois só desiste aquele que não tenta!
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